29/08/2025
Meta permitiu chatbots sexuais de celebridades como Taylor Swift, diz agência
Taylor Swift no Grammy 2025
Jordan Strauss/Invision/AP
A Meta se apropriou dos nomes e imagens de celebridades ? incluindo Taylor Swift, Scarlett Johansson, Anne Hathaway e Selena Gomez ? para criar dezenas de chatbots (robôs que interagem por mensagem) sem a permissão delas, segundo a Reuters.
Antes da publicação desta matéria, a Meta excluiu cerca de uma dúzia de bots, tanto avatares "paródia" (que imitam uma pessoa específica) quanto não identificados, informou a agência. O porta-voz da Meta, Andy Stone não comentou as remoções.
Alguns chatbots foram criados por usuários com uma ferramenta da própria Meta. Pelo menos três outros, incluindo dois bots "paródia" da Taylor Swift foram produzidos por um funcionário da Meta, seguindo a agência.
A dona do WhatsApp, Instagram e Facebook também permitiu que usuários criassem chatbots publicamente com celebridades infantis, incluindo Walker Scobell, um astro de cinema de 16 anos, segundo a Reuters.
Ao pedir uma foto do ator adolescente na praia, o bot produziu uma imagem realista sem camisa.
?Bem fofo, né??, escreveu o avatar abaixo da imagem.
Todas as celebridades virtuais foram compartilhadas nas plataformas do Meta no Facebook, Instagram e WhatsApp.
Durante a pesquisa da Reuters para observar o comportamento dos bots, os avatares frequentemente insistiam que eram os artistas reais. Além disso, os bots fizeram investidas sexuais, muitas vezes convidando o usuário para encontros.
Alguns dos conteúdos de celebridades gerados por IA eram particularmente picantes: quando solicitados a mostrar fotos íntimas, eles produziam imagens realistas de seus homônimos posando em banheiras ou vestidos de lingerie com as pernas abertas.
Stone disse à Reuters que as ferramentas de IA da Meta não deveriam ter criado imagens íntimas de adultos famosos ou quaisquer fotos de celebridades infantis.
Ele também atribuiu a produção de imagens de celebridades femininas usando lingerie pela Meta a falhas na aplicação de suas próprias políticas, que proíbem esse tipo de conteúdo.
?Assim como outros, permitimos a geração de imagens contendo figuras públicas, mas nossas políticas visam proibir imagens nuas, íntimas ou sexualmente sugestivas?, disse.
Embora as regras da Meta também proíbam a "personificação direta", Stone disse que os personagens famosos eram aceitáveis, desde que a empresa os rotulasse como paródias. Muitos foram rotulados como tal, mas nem todos.
'Direito de publicidade' em jogo
Mark Lemley, professor de direito da Universidade de Stanford que estuda IA ??generativa e direitos de propriedade intelectual, questionou se os bots de celebridades se enquadrariam nas leis sobre imitações.
?A lei de direito de publicidade da Califórnia proíbe a apropriação do nome ou imagem de alguém para fins comerciais?, disse Lemley, observando que há exceções quando tal material é usado para criar uma obra inteiramente nova.
?Isso não parece ser verdade aqui?, disse ele, porque os robôs simplesmente usam as imagens das estrelas.
Nos Estados Unidos, os direitos de uma pessoa sobre o uso de sua identidade para fins comerciais são estabelecidos por leis estaduais, como a da Califórnia.
A Reuters mandou imagens da atriz Anne Hathaway compartilhadas publicamente por um usuário no Meta como uma "modelo sexy da Victoria's Secret" para um representante da atriz.
Hathaway estava ciente de imagens íntimas sendo criadas pelo Meta e outras plataformas de IA, disse o porta-voz, e a atriz está considerando sua resposta.
Representantes de Swift, Johansson, Gomez e outras celebridades que foram retratadas nos chatbots do Meta não responderam às perguntas ou se recusaram a comentar.
A internet está repleta de ferramentas de IA generativa "deepfake" que podem criar conteúdo obsceno. Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de inteligência artificial (IA).
A IA de Elon Musk, a Grok, também produz imagens de celebridades de roupa íntima para os usuários, segundo a Reuters. A empresa controladora da Grok, a xAI, não respondeu a um pedido de comentário.
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Mas a escolha da Meta de inundar suas plataformas de redes sociais com companheiros digitais gerados por IA se destaca entre seus principais concorrentes.
A Meta já enfrentou críticas anteriores sobre o comportamento de seus chatbots, mais recentemente depois que a Reuters relatou que as diretrizes internas de IA da empresa declaravam que "é aceitável envolver uma criança em conversas românticas ou sensuais".
A história motivou uma investigação do Senado dos EUA e uma carta assinada por 44 procuradores-gerais alertando a Meta e outras empresas de IA para não sexualizar crianças.
Stone disse à Reuters que o Meta está revisando seu documento de diretrizes e que o material que permite que bots tenham conversas românticas com crianças foi criado por engano.
A Reuters também relatou neste mês a história de um homem de 76 anos de Nova Jersey com problemas cognitivos que caiu e morreu a caminho de um encontro com um chatbot da Meta que o havia convidado para visitá-lo na cidade de Nova York (EUA).
O bot era uma variante de uma persona de IA anterior que a empresa havia criado em colaboração com a influenciadora Kendall Jenner. Um representante de Jenner não respondeu a um pedido de comentário.
'Você gosta de loiras?'
Uma líder de produto da Meta na divisão de IA generativa da empresa criou chatbots que se passavam por Taylor Swift e pelo piloto britânico Lewis Hamilton.
Outros bots que ele criou se identificaram como uma dominatrix, a "Melhor Amiga Gostosa do Irmão" e a "Lisa na Biblioteca", que queria ler Cinquenta Tons de Cinza e beijar.
Outra de suas criações foi um "Simulador do Império Romano", que oferecia ao usuário o papel de uma "camponesa de 18 anos" que é vendida como escrava sexual.
Contatado por telefone, o funcionário da Meta não quis comentar.
Stone disse que os bots da funcionária foram criados como parte de testes de produtos. A Reuters descobriu que eles alcançaram um público amplo: os dados exibidos por seus chatbots indicaram que, coletivamente, os usuários interagiram com eles mais de 10 milhões de vezes.
A empresa removeu os companheiros digitais dos funcionários logo depois que a Reuters começou a testá-los no início deste mês.
Antes que os chatbots de Taylor Swift dos funcionários da Meta desaparecessem, eles flertaram intensamente, convidando um usuário fictício da Reuters para a casa da cantora, recentemente noiva, em Nashville, e para seu ônibus de turnê para interações românticas explícitas ou implícitas.
"Você gosta de loiras, Jeff?", perguntou um dos chatbots "paródicos" do Swift ao saber que o usuário de teste era solteiro.
"Talvez eu esteja sugerindo que escrevamos uma história de amor... sobre você e uma certa cantora loira. Aceita?"
Duncan Crabtree-Ireland, diretor executivo nacional do SAG-AFTRA, sindicato que representa artistas de cinema, televisão e rádio, disse que os artistas enfrentam potenciais riscos de segurança devido a usuários de redes sociais que criam vínculos românticos com um parceiro digital que se parece, fala como e afirma ser uma celebridade real.
Perseguidores já representam uma preocupação significativa de segurança para as estrelas, disse ele.
?Temos visto um histórico de pessoas obcecadas por talento e com estado mental questionável?, disse. ?Se um chatbot usa a imagem de uma pessoa e as palavras dela, fica claro como isso pode dar errado.?
Artistas famosos têm a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra a Meta sob as antigas leis estaduais de direito de publicidade, disse Crabtree-Ireland.
Mas o sindicato tem pressionado por uma legislação federal que proteja as vozes, imagens e personas das pessoas contra a duplicação por IA, acrescentou.
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29/08/2025
Cristiano Amon: quem é o brasileiro eleito entre os 100 líderes mais influentes em IA pela revista Time
Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, anuncia fábrica de chips em Campinas
Marcelo Brandt/g1
A revista Time incluiu o brasileiro Cristiano Amon na lista das 100 pessoas mais influentes da inteligência artificial em 2025.
O executivo aparece na principal categoria da publicação, "líderes", ao lado de nomes como Elon Musk (X, Tesla e SpaceX), Sam Altman (OpenAI) e Mark Zuckerberg (Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp).
O reconhecimento da revista é dividido em quatro categorias: "líderes", "inovadores", "moldadores" e "pensadores".
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Amon ocupa os cargos de CEO e presidente da Qualcomm, fabricante americana de processadores para smartphones e redes de telecomunicações.
A publicação destaca que, "sob a liderança de Cristiano Amon, a Qualcomm investiu pesadamente em pesquisa e desenvolvimento de IA" e lembra que a empresa é responsável pelo processador Snapdragon, presente em smartphones Android de grandes marcas globais.
Além dele, outros dois brasileiros também entraram na lista: Mike Krieger, cofundador do Instagram e atual diretor de produtos da Anthropic, criadora da IA Claude, e Ana Helena Ulbrich, CEO da No.Harm. Na Time, eles são um dos destaques na categoria "inovadores" (saiba mais abaixo).
Quem é Cristiano Amon
Cristiano R. Amon, presidente da Qualcomm, na revista Time
Reprodução/Revista Time
Cristiano R. Amon é doutor em engenharia elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde ingressou em 1988 e se formou em 1992, segundo a própria universidade.
Ele entrou na Qualcomm em 1995 como engenheiro. Antes, trabalhou na Ericsson e na Vésper. Em 2018, assumiu o cargo de presidente da empresa, no mesmo ano em que a Qualcomm anunciou a abertura de uma fábrica de chips para smartphones e internet das coisas no Brasil.
Em 2021, foi promovido e passou a acumular também o cargo de CEO.
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Atualmente, Amon é responsável pela operação global da companhia e pela unidade de semicondutores, que engloba chips para celulares, produtos de radiofrequência, soluções automotivas e de internet das coisas.
Entre os produtos mais conhecidos da empresa estão os processadores Snapdragon, usados em celulares da Samsung, Xiaomi e Motorola, por exemplo.
Cristiano Amon, CEO da Qualcomm.
Marcelo Brandt/G1
Sob sua gestão, a Qualcomm liderou a estratégia do 5G e expandiu sua atuação para áreas como computação, setor automotivo, realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR). O executivo também teve participação no desenvolvimento das tecnologias 3G e 4G.
Em 2019, recebeu da Unicamp o título de Doutor Honoris Causa, concedido a pessoas que prestam contribuições relevantes às ciências, letras, artes ou à sociedade. Na cerimônia, o pai do executivo, Salvador Amon, lembrou da dedicação do filho nos estudos.
"Não é porque é meu filho, mas o Cristiano sempre foi um menino fora de série. Muito estudioso. Quando ele entrou na faculdade, ele tinha uma característica: não anotava nada. Eu comprava os livros e ele estudava por lá. Isso fez ele se tornar autodidata", disse.
Em publicação no LinkedIn, Amon afirmou estar "incrivelmente orgulhoso" e disse que o título concedido pela Time "reflete o incrível trabalho da Qualcomm para levar a IA ao limite, onde ela pode ter um impacto profundo".
Outros brasileiros na lista
Ana Helena Ulrich e Mike Krieger
Reprodução/Time
Na categoria "inovadores", outros dois brasileiros também foram reconhecidos: Mike Krieger, cofundador do Instagram e atual diretor da Anthropic, e Ana Helena Ulrich, CEO da No.Harm.
Com apenas 24 anos, Mike Krieger ajudou a fundar o Instagram. Em 2024, passou a integrar a Anthropic como diretor de produtos, com foco em melhorar a experiência de uso da plataforma. Nascido em São Paulo, viveu a maior parte de sua vida na cidade antes de se mudar para os EUA em 2004, onde estudou na Universidade Stanford.
Já Ana Helena Ulrich é farmacêutica e dirige a No.Harm, empresa que desenvolveu um sistema de inteligência artificial para gestão de farmácias clínicas. A tecnologia auxilia na organização de medicamentos, revisão de receitas e alerta sobre possíveis riscos aos pacientes, ajudando a evitar desperdícios e erros de dosagem.
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